terça-feira, 16 de agosto de 2011

E nossa identidade?

"Esse texto procura questionar a questão da nossa identidade, um componente tão importante para a nossa sustentabilidade"

E nossa identidade?

Dois grupos de questionamentos perambularam por minha cabeça quase o dia inteiro, um sobre a construção da minha identidade e outro sobre a pressão externa que essa minha identidade sofre para ser reprimida e “normatizada” segundo interesses que parecem figurar acima do Bem e do Mal.
Esses questionamentos são resultados de angustias ainda mal resolvidas que agora procuro saná-las ou pelo menos aliviá-las, afinal para entender minha identidade se faz necessário perguntar: quais são os substratos da minha identidade? Com que quero me identificar? Por quais interesses?
Minha identidade é fruto da mistura das etnias européias, indígenas e africanas, a isso usamos o termo – que já se tornou moda aqui no Brasil – miscigenação, mas o que me leva a vangloriar-me da parte européia do meu passado e não da parte nativa, quais preconceitos fazem identificar-me melhor com o dominador do que com o dominado?
Essa visão eurocêntrica é fruto de uma relação que outrora era mais visível na história do nosso país, as relações entre colonizador e colonizado, isto é, o colonizado para ter uma ascensão social, sempre negou as suas tradições indígenas, e aceitou a tradição européia como hegemônica na constituição de sua família e de seu ethos, essa visão foi passada para nós no decorrer da história, por textos, nas rádios e na TV. Tanto é que apesar de atualmente essa visão preconceituosa sobre nossas tradições ser atacada, existindo uma tentativa de valorização das culturas indígenas como integrante de nossa cultura, é comum ainda encontrar nas ruas expressões como: “isso é coisa índio” referindo a cultura indígena como selvageria, parecendo até que foram os índios responsáveis pelos genocídios gritantes na nossa história mundial ou pela lógica mortífera do capital.
Não é difícil encontrar na mídia – a maior formadora de opinião do nosso tempo – referências ao índio como ”o outro” e não como “a gente”, o índio é sempre uma coisa anômala da nossa sociedade, não é mostrado como parte integrante de nossa cultura. E pior, quando um jornalista visita alguma tribo, a visão que se tem é que índio só faz parte da nossa cultura quando ele joga futebol, está trajado como branco, ou conhece alguns jogadores de futebol como o Ronaldo ou o Kaká.
Essa visão sobre o indígena é extremamente prejudicial para uma formação democrática da nossa cultura, pois relegamos a esses nossos ancestrais o lugar do diferente, da negação. Ainda estamos voltados para a Europa, e não para nós.
Desta forma é possível entender – mas não aceitar – a atitude que temos perante os vestígios indígenas, relegamos a eles a “jaula” de um museu, porque o indígena ainda para nós é um silvícola.    

Além do mais, essa cultura indígena sofre com a desumana onda do progresso tecnológico, assim se faz necessário perguntar: o que é mais interessante conservar ou mudar, a tradição ou o paradigma do inevitável progresso do Mundo industrializado e capitalizado? E quais interesses que patrocinam a imposição dessa idéia sobre o progresso?
Ora, no sistema capitalista, como já preconizava Karl Marx “Tudo que é sólido derrete-se no ar”, assim sendo ele privilegia o novo, o que está por vir, tornando o antigo, algo inutilizável e execrável, pois economicamente não rende tanto quanto a novidade, o atual. Desta forma, qualquer contra-discurso a essa tendência, acaba por ser massacrada pela mentalidade – já há muito tempo hegemônica – que cultua o atual, e com isso corre desesperadamente atrás do que convencionamos chamar de “top de linha”.
Essa mentalidade acaba por tornar todo os vestígios dos nossos antepassados se não encontrados e rapidamente trancafiados em algum museu ou local para estudo, passiveis de serem cobertos por toneladas e toneladas de concreto e ferro. Pois o progresso não pode parar.     
E se alguém se colocar em frente a esse progresso acaba por mexer com toda uma gama de interesses que figuram a cima do Bem e do Mal, pois querem algo mais importante que bem social (segundo esses interessados) o lucro. Isso fica explicito nos comerciais de TV, nos outdoors, na cultura pop alienante, nas criticas do senso comum às ciências humanas, na visão pejorativa sobre os não lançamentos e ao repúdio aos saudosistas.
Daí crucificar esse que querem entender o passado, ou manter tradição, pois para aqueles que cultuam o novo e o lucro, este se põe como obstáculo e o resultado disso já sabemos, ou se aprisiona os vestígios da cultura indígena tornando passível de estudo e mostrando em nível de senso comum sempre como algo diferente de nossa cultura europeizada, ou enterramo-la com concreto, ferro e novas tecnologias.

Levi Adriano Nogueira

Manifesto do chefe Seattle de 1855



 "O texto é interessante no que tange a visão - de 1855 - dos nativos amrericanos, tão atual em nossa época"
 "E ainda vemos eles como atrasados" 
Manifesto do chefe Seattle respondendo, em 1855, à proposta do então presidente dos estados Unidos da América, Franklin Pierce, de comprar as terras dos índios.É considerado como um dos mais profundos pronunciamentos a respeito da defesa do meio ambiente. O chefe Seattle nasceu em1790 e morreu em 1866: Foi o primeiro signatário do tratado de Port Elliot, pelo qual as tribos se submetiam às imposições governamentais dos EUA, recebendo, em troca, uma reserva indígena. O Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra.
Manda, também, palavras de amizade e cordialidade. É gentil de sua parte, mesmo sabendo que ele tem pouca necessidade de retorno da nossa amizade. Mas consideraremos sua proposta. Pois sabemos que se nós não vendermos, o homem branco poderá aparecer, com armas de fogo, e ficar com nossa terra.
É possível comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal idéia é estranha para nós.
Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como podemos comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada areia da praia, cada bruma nas densas florestas, cada clareira e cada inseto a zumbir são sagrados na memória do meu povo. A seiva que corre através das árvores carrega as memórias do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca esquecem esta bonita terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, o cervo, o cavalo e a grande águia são nossos irmãos. Os costumes rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem - todos pertencem à mesma família.
Deste modo, quando o Grande Chefe manda dizer que quer comprar a nossa terra, ele pede muito de nós.
O Grande Chefe manda dizer que ele nos reservará um lugar onde possamos viver contentes. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.
Assim, consideraremos sua oferta de comprar nossa terra. Mas não será fácil, pois esta terra é sagrada para nós.
Esta água brilhante, que corre nos riachos e rios, não é somente água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhe vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo do espírito na cristalina água dos lagos revela acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, eles saciam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar às suas crianças que os rios são nossos irmãos, e seus também, e vocês deve, daqui em diante, dar aos rios a bondade que dariam a qualquer irmão.
O homem vermelho sempre temeu o avanço do homem branco, como névoa da montanha corre antes do sol da manhã. Mas as cinzas dos nossos pais são sagradas. Suas sepulturas são o solo sagrado e, portanto, estas colinas, estas árvores, esta porção do mundo, são sagradas para nós. Sabemos que o homem branco não entende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outras, como um forasteiro vem à noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, continua simplesmente seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus pais. E não se importa. Rouba a terra de seus filhos. E não se importa. As sepulturas de seus pais e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, sua terra, seu irmão, e o céus, como coisas para serem compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou contas coloridas. Seus apetite devorará a terra e deixará somente um deserto.
Eu não sei. Nossos costumes são diferentes dos seus costumes. A visão das suas cidades causa dor aos olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar calmo das cidades do homem branco. Nenhum lugar para escutar o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez porque eu sou um selvagem e não compreenda. o ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxo dos sapos em volta de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento, encrespando a face do lago, e o próprio aroma do vento, limpo por uma chuva do meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.



O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. O homem branco parece não sentir o ar que respira. Como um animal agonizando há vários dias e insensível ao mau cheiro. Mas se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir sentir o vento adoçado pelas flores das campinas.
Portanto, nós consideraremos sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitá-la, vou impor uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra maneira de agira. Avistei um milhar de búfalos apodrecendo na campina, abandonados pelo homem branco que lhes atirou de um trem ao passar. Eu sou selvagem e não compreendo como pode ser, um fumegante cavalo de ferro, mais importante que o búfalo sacrificado por nós apenas para permanecermos vivos.
Que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, homens morreriam de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Devem ensinar, às suas crianças, que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que a terra é enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas crianças; que a terra é nossa mãe. Tudo o que ocorrer com a terra, ocorrerá aos filhos da terra. Se os homens desprezam o solo, estão desprezando a si mesmos.
Isto sabemos. A terra não pertence ao homem; é o homem que pertence à terra. Isto sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu a trama da vida; ele é meramente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido fará a si mesmo.
Mas consideraremos a sua oferta de ir à reserva que você tem para o meu povo. Viveremos isolados e em paz. Pouco importa onde passaremos o final de nossas vidas. Nossas crianças viram seus pais humilhados na derrota. Nossos guerreiros sentiram vergonha depois da derrota e tornaram ociosos os seus dias, contaminando seus corpos com doces e bebidas fortes. pouco importa onde passaremos o final de ossos dias. Não são muitos. Poucas horas mais, poucos invernos mais. E não deixaremos as crianças das grandes tribos, que viveram nesta terra, ou que agora perambulam em pequenos grupos nas florestas, lamentarem diante dos túmulos de um povo, outrora tão forte e esperançoso quanto o seu. Mas por que eu deveria lamentar a passagem do meu povo? tribos são feitas de homens, nada mais. Homens vem e vão, como as ondas do mar.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. Apesar de tudo, poderemos ser irmãos. Veremos. Uma coisa sabemos - e que o homem branco poderá um dia descobrir - nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não podem. ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. Esta terra é preciosa para Ele e ferí-la é desprezar seu Criador. Os homens brancos também passarão; talvez mais breve do que todas as outras tribos. Continuem contaminando suas camas e em uma determinada noite vocês serão sufocados pela própria ruína.
Mas nas suas desaparições vocês brilharam intensamente, iluminados pela força de Deus, que os trouxe a esta terra e, por alguma razão especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos quando os búfalos são exterminados, os cavalos selvagens domados, os recantos secretos da densa floresta são impregnados do cheiro de muitos homens e a visão dos morros são obstruídas por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. Que é dizer adeus ao potro veloz e à caça? É o fim da vida e o início de uma subvida.
Portanto, consideraremos sua oferta de comprar nossa terra. Se concordarmos, será para assegurarmos a reserva que vocês prometeram. Lá, talvez, poderemos sobreviver nossos derradeiros dias como desejamos. Quando o último homem vermelho desaparecer desta terra, e a sua memória for apenas a sombra de uma nuvem se movendo sobre a pradaria, estas praias e florestas ainda estarão mantendo os espíritos do meu povo. Pois meu povo ama esta terra como recém-nascido ama a batida do coração de sua mãe. Portanto, se lhes vendermos nossa terra, procurem dar amor a ela assim como nós a amamos. Cuidem dela como nós a cuidamos. Guardem, na memória das suas almas, como era esta terra quando vocês se apossaram dela. E com todas as suas forças, com todas as suas almas, com todos os seus corações, preservem esta terra para as suas crianças, e amem ela como Deus ama a todos. Uma coisa nós sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é preciosa para ele. Mesmo o homem branco não pode estar isento do destino comum. Apesar de tudo, podemos ser irmãos. Veremos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sustentabilidade do Planeta e do Ser Humano para uma Cultura de Paz!

 
Se cada ser conseguir sustentar em si essas duas palavras, Amor e Verdade no seu processo de desenvolvimento caminharemos para uma cultura de Paz.
...

    "O que eu penso a respeito da vida


                                                             É que um dia ela vai perguntar

O que é que eu fiz com meus sonhos?

                 E qual foi o meu jeito de amar?

            O que eu é que eu deixei pras pessoas

                 Que no mundo vão continuar?

              Pra que eu não tenha vivido à toa

               E que não seja tarde demais..."
(Jorge Trevisol)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

PODEMOS FAZER A DIFERENÇA

" TER UMA ATITUDE CONSCIENTE EM RELAÇÃO AOS NOSSOS HÁBITOS É A MELHOR MANEIRA DE SE MUDAR O MUNDO"




OLÁ PESSOAL! NÓS PODEMOS FAZER A DIFERENÇA COM PEQUENAS ATITUDES, BASTA COMEÇAR...